Arquivos por Categoria: do livro dos despachos

errare humanun est, preservare diabolicum - quem perde o cérebro uma vez nunca mais o encontra. [Pergunta] Como deve ser designada uma enzima que produz um determinado composto por síntese, por exemplo o gás NO? Deve ser “NO sintetase” ou “NO síntase”? [Resposta] Na química e na farmácia, empregam-se designações sui generis, mais ou menos libertas de regras gramaticais. Parecem-me mal ambas as designações; sintástase ou até sintetástase seriam vocábulos mais aceitáveis para o caso (cf. p. ex. em diástase). (Aqui…) Que é quem como diz, deste senhor só espero que tenha uma epifania em breve… Sententia minima

kids, don’t play with guns.

-Comentário online ao exame de português de 12º ano que parece obrigar os alunos a perceberem alguma coisa de tudo-

“O que é q isso interessa?
O que interessa e pôr uma pessoa a ler um tecto, percebe-lo e sem dar erros ortográficos!
Agora ciência da língua…Não percebo o jeito disso.
Quando eu fiz o exame, e não foi há 20 anos ( foi há 2 anos ) não havia uma ÚNICA pergunta sobre gramática…

-Terá passado?-

sententia minima.

Pro bono, my ass! Suck my cock and call me proton. Desculpem lá, mas vocês acham mesmo que há alguém neste planeta que faça alguma coisa, por mais ínfima que seja, a pensar nos outros? Sententia minimia.

paixão. correr por algo bom sem olhar a meios. ir em frente, chamarem-nos loucos porque gostamos daquilo. esquecer tudo e ir. para não voltar. para não não-voltar. apenas para ir. o resto não interessa. [vocês sabem, vá, todos juntos, com aaaaaaaaamor, não me mataste o desejo]. que se lixe o raio do planeta que nos rodeia, não foi a pensar nele que aterrámos e escondemos a nave, não foi a pensar nele que ficámos assim. [com aaaaaaaaamor, com o teu primeiro beijo] não quero mais pessoas a dizerem-me o que pensam, não quero mais pessoas a olhar para mim, ignorem-me, lixem-se, não! [com aaaaaaaaamor, não me mataste o desejo] que interessa isso tudo, a sociedade, a vida, o trabalho, o dinheiro, se podemos apenas pegar em nós e fugir rumo a qualquer outro lugar? uma após outra, romper as amarras e partir. a louça toda. e ir. [com aaaaaaaaamor, com o teu primeiro beijo!] sententia minima

[foda-se, será paixão até ao fim!]

dubito, ergo sum. olho e re-olho e re-re-olho para as mesmas coisas, endlessly. chego, e re-chego, e re-re-chego às mesmas conclusões, always. para quê pensar se não vale a pena, se duvidar apenas chega e sobra? para quê pensar se há sempre que o faça por nós? simplesmente porque, pensando, damos ares de intelectualóides. ninguém quer saber o que realmente somos, apenas querem saber o que realmente parecemos. sententia minima

Sorore alma sapientis, triste fado deste país. Quem diz que é assim, ou sabe ou não sabe. Quem diz que é, e sabe, demonstra, quod erat demonstrandum. Quem diz que é, e não sabe, diz que é, e, ultima ratio, acusam e defendem as várias hipóteses, vestem a cabeleiram e decidem, pro bono, o que lhes convém. Espera-se que veritas omnia vincit e que quem não sabe seja hasteado no pelourinho da inquisição e convenientemente seja expelido deste paisúnculo. sententia minima

[unus multorum não faz o meu estilo.]

auto-estima elevada, noção da realidade reduzida. “estive a ler isto, gostei muito, está muito bem escrito. muito bom. ai fui eu que escrevi?”. “não gosto nada disto, está tudo muito macambúzio, não se percebe nada, você não tem jeito nenhum para escrever! ai fui eu que escrevi?” valha-nos a coerência de não saber nunca quem é o autor dos textos dela. poupam-se horas de auto-flagelamento e de self pity. os psiquiatras agradecem. sententia minima

o id manda, o super-ego obedece. quem muito queima neurónios, fica grávido por ovos, essa fonte de lecitina que sai do ânus das galináceas. que é quem como diz, quem pensa, ‘dá’ merda. não há ego que resista. e quem deseja nicotina acaba por ficar espevitado. afinal, o thick tea e o black coffee trocam a adstringência linguinal do tabaco pela dos polifenóis e ainda juntam umas taquicardias transientemente transitórias. o alter ego é que se fode. sententia minima

[alma mater oblige]

a caligrafia revela a necessidade. quem escreve por gosto, precisa de outra ocupação, mas lê-se. quem escreve porque precisa, não gosta e não se lê. quem risca, precisa de aprender porque não sabe o que quer. quem não risca, precisa de aprender porque acha que tem razão. quem não escreve, precisa de aprender a. sententia minima

o plural é o oposto do singular. papel é sinónimo de riqueza. quem não tem papel é teso. papéis são sinónimo de pobreza. quem aculuma papéis, seja na carteira, na mala ou na secretária, não tem a riqueza de espírito necessária à selecção adequada dos ditos. sententia minima

canecas de chá são repositórios de história. determina-se a antiguidade pelo encrustamento dos fenóis na porcelana, determina-se o presente pelo aroma que emana e determina-se o futuro pela folhas de chá que se disperam no fundo das ditas. sententia minima