Arquivos por Categoria: A Ilha da Madredeus

1995

Em Janeiro Win Wenders vem a Lisboa filmar os videoclips dos temas “Sol da Mouraria” e “Alfama”, o primeiro nas instalações da Companhia de Dança de Lisboa, e o segundo utilizando um eléctrico da Carris e o seu percurso por Alfama. Em Fevereiro, os Madredeus actuam em Espanha em 20 concertos.

Em Março estreia Lisbon Story, o filme de Wenders, e os Madredeus fazem 19 concertos em Portugal. Seguem-se, em Abirl, Bélgica, Alemanha, Suíca e Holanda.

Em Junho, nos Açores. participam num documentários sobre o grupo realizado por Rob Rombout. No final de Julho, no regresso ao continente, efectuam uma série de concertos ao ar livre em locais históricos do país, passando pelas muralhas da Vila Nova de Cerveira, a Praça João Franco em Guimarães, o Mosteiro de S. Bento da Vitória no Porto, o palácio de Queluz o palácio de Mateus em Vila Real e o antigo picadeiro da Fortaleza de Almeida.

Em Setembro vão ao Brasil e aos Estados Unidos (Nova Iorque, Boston, San Francisco, Los Angeles). Em Outubro regressam ao Japão. Em Novembro é lançada a biografia do grupo, “Um Futuro Maior”, de Jorge P. Pires, e actuam ao vivo no lançamento. Regressam ao brasil e chegam a Lisboa pouco antes do Natal e desta vez não dão uma série de concertos no final do ano.

1996

O cansaço acumulado ao longo dos últimos 3 anos reflecte-se na relação entre os membros do grupo.

Em Fevereiro, Pedro Ayres, Teresa Salgueiro, José Peixoto e Carlos Maria Trindade começam a ensaiar numa sala do Centro Cultural de Belém, passando depois para os estudos da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos. Em Junho saem Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro, entrando o baixista Fernando Júdice, ex-Trovante e ex-Resistência.

Com a nova formação partem para seis concertos em Itália, onde regressam no final de Julho para gravar “O Paraíso”, nos Condulmer Recording Studios, perto de Veneza.

A 21 de Agosto actuam em Pamplona, Espanha, e a 18 de Setembro apresentm o novo espectáculo ao público português com um concerto em Évora, ao ar livre e com entrada gratuita.

Paraíso

01. Haja O Que Houver
02. Os Dias Sao A Noite
03. A Tempestade
04. A Andorinha Da Primavera
05. Claridade
06. A Praia Do Mar
07. O Fim Da Estrada
08. Agora
09. A Margem
10. Carta Para Ti
11. Coisas Pequenas
12. Nao Muito Distante
13. O Sonho
14. O Paraíso

Haja o que Houver

Coisas Pequenas

Não Muito Distante

O Sonho

(continua)

1993

No início de 1993 a internacionalização dos Madredeus torna-se muito mais evidente.
Em Janeiro actuam na Alemanha em Friburgo, Berlim, Hamburgo, Dusseldorf, Frankfurt e Estugarda. Em Fevereiro regressam à Bélgica, onde há cada vez mais fans dos Madredeus e onde o álbum “Existir” vai subindo constantemente nas tabelas de vendas. Entre outros concertos, actuam duas noites em Bruxelas. Seguem-se Barcelona, Leon e Saragoça.

A EMI decide então lançar os Madredeus internacionalmente. As primeiras promoções discográficas internacionais são na Grécia, ao mesmo tempo que Pedro Ayres participa numa banda em paralelo, os “Resistência”, sendo substuído nos concertos dos Madredeus por José Peixoto. Contudo, rapidamente regressa e os Madredeus tornam-se um sexteto com os dois guitarristas.

No festiva Portugal ao vivo actuam perante 50 000 pessoas num estádio de futebol, em Junho. Joana Vicente produz um novo videoclip para o tema “O Pastor”.

Durante o Verão o grupo encontra-se num digressão interminável em França, passando por Paris, Quimper, Loire, Vannes, Istres, Reims, Chartres, Sévres, St Priest, Ile de Ré, Tarbes, Dijon, St. Darthélemy, Athis, Bordeaux, Quevelly, St Thibaut, Montluçon, Lagny, Montelimar e Toulouse. Segue-se um regresso à Grécia (Atenas, Salónica, Rodes e Creta), a Holanda (em Setembro), o Japão (Tóquio, Osaka, Amakusa e de novo Tóquio), em Outubro, que os deixa deslumbrados, o Luxemburgo e a Suiça. Em Dezembro regressam aos seus fãs portugueses, actuanado na Covilhã, no Funchal, em Coimbra, Guimarães, Viseu, Macau, Sintra, e Lisboa. É em Lisboa que são reccebidos em apoteose durante quatro noites no Centro Cultural de Belém

Entretanto, Rodrigo Leão publica o álbum “Ave Mundi Luminar”, o seu primeiro trabalho a solo.

1994

Após duas semanas de pausa em Janeiro, o grupo reúne-se em ensaios em casa de Gabriel Gomes, para trabalhar novos temas. Gravam uma versão de homenagem a “Maio, Maduro Maio”, que será incluída no álbum “Filhos da Madrugada”, de homenagem a José Afonso.

Wim Wenders, cineasta alemão que prepara um filme sobre Lisboa, Capital Europeia da Cultura, escolhe os Madredeus para a banda sonora do filme. A 5 de Maio, em Londres, a banda sonora do filme encontra-se completa: em vez de um álbum, surpreendem a ediotra com dois, sendo o primeiro lançado ainda na primavera, “O Espírito da Paz”, que resume as impressões do público estrangeiro às canções do grupo. O álbum é apresentado na Bélgica num concerto privado numa igreja em Bruxelas. De volta a Portugal, surgem os videoclips de “Vem” e de “Ao Longe O Mar”, e gravam parte da sua participação no filme de Wender. Os novos temas são apresentados no Mosteiro da Batalha, em Aveiro, em Braga, no Brasil, na Dinamarca e na Bélgica, e, de volta a Lisboa, no concerto de homenagem a Zeca Afonso, no estádio de Alvalade, e no Coliseu do Porto.

Por esta altura Rodrigo Leão abandona os Madredeus, devido ao ritmo intenso do grupo, e é substuído imediatamente por Carlos Maria Trindade, que os acopanha na digressão por Espanha, Portugal, Bélgica, Itália, Holanda, Alemanha, França, Escandinávia e Bélgica.

Em Outubro regrressam ao Japão, onde são recebidos pela família do Imperador. O regresso a Portugal é precedido de concertos na Suécia, em Inglaterra, na Bélgica, na Holanda, e na Alemanha, voltando a terminar o ano com uma semana de concertos no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Na última noite revelam algumas das canções de “Ainda”, a banda sonora do filme de Wenders, e na semana do Natal todos os álbuns dos Madredeus estão no top 20 nacional, um feito inédito em Portugal.

Espírito da Paz

1993

01. Concertino - Minueto (instrumental)
02. Allegro (instrumental)
03. Destino
04. Silêncio
05. Os Senhores Da Guerra
06. Pregão
07. O Mar
08. Os Moinhos (instrumental)
09. Três Ilusões - Sentimento
10. Culpa
11. Amargura
12. As Cores Do Sol
13. Ao Longe O Mar
14. Vem
15. Ajuda

Ajuda

Ainda

01. Guitarra
02. Milagre
03. Ceu Da Mouraria
04. Miradouro De Santa Catarina (Instrumental)
05. A Cidade E Os Campos
06. Tejo
07. Viagens Interditas (Instrumental)
08. Alfama
09. Ainda
10. Maio Maduro Maio

Guitarra

Concerto em S. Paulo; O Mar; O Céu da Mouraria

Alfama

Ainda

(continua)
Maio Maduro Maio

1991/1992

Em Março os Madredeus gravam os clips de “Cuidado” e o “Pastor”, sempre acompanhados por António Pinheiro da Silva. Em Abril participam, a convite da Câmara Municipal de Lisboa, na Semana da Cultura Portuguesa, em Florença, e dão o primeiro converto em Espanha, em Barcelona.

Participam na Europália’92 como representantes de Portugal.

A 30 de Abril de 1992 gravam, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, o álbum duplo “Lisboa”, ao vivo, com a participação de Carlos Paredes e de um coro de 80 vozes vindo expressamente dos Açores. Este disco contém temas dos dois primeiros discos, “Os Dias da Madredeus” e “Existir”, bem como alguns temas novos, como “Mudar de Vida”.

Lisboa

CD 1
01. Matinal (vocal)
02. A Cidade
03. A Península (instrumental)
04. Cuidado
05. O Ladrao
06. O Pomar Das Laranjeiras
07. Mudar De Vida (instrumental)
08. Canto De Embalar
09. O Navio
10. O Pastor
11. As Ilhas Dos Acores (instrumental)
12. A Vontade De Mudar

CD 2
01. A Cantiga do Campo
02. Amanhã
03. A Sombra
04. Solstício (instrumental)
05. A Estrada do Monte
06. A Vaca de Fogo
07. A Confissão
08. As Montanhas (instrumental)
09. O Menino
10. Fado do Mindelo
11. O Pastor

1988

A seguir ao lançamento de “Os dias da Madredeus”, os Madredeus começaram a actuar ao vivo em várias cidades portuguesas, como Lisboa, Setúbal (ao ar livre diante de 8000 pessoas), Santa Maria da Feira, Barreiro, Reguengos, Viana do Castelo, Santa Maria (Açores), Lisboa, Cova da Piedade, Angra do Heroísmo (Açores), Aveiro, Sines e Coimbra.

Foram convidados a participar, na comitiva representativa de Portugal, na Bienal dos Jovens Artistas do Mediterrâneo, em Dezembro, em Bolonha. Para além dos dois concertos inicialmente previstos, foram actuando espontaneamente durante a sua estadia na cidade, com esboços de novas canções. A 22 de Dezembro actuam em Lisboa, na Feira das Indústrias da Cultura.

Foi em 1988 que fizeram o primeiro videoclip, para “A Vaca de Fogo”, do álbum lançado em 1987.

1989

Em Junho actuam na Coreia do Norte, no Festival da Juventude de Pyongyang. De volta a Lisboa, tocam na Igreja de São Luís dos Franceses num concerto a recordar por terem enchido não só a igreja mas também toda a rua em frente.

Em Novembro, de volta a Lisboa depois de vários concertos pelo país, os Madredeus vão apresentando as suas novas canções, interpretadas de modo diferente e com arranjos diferentes de concerto para concerto. “Cuidado”, “O Navio”, “O Pomar das Laranjeiras”, entre outras, vão ficando no ouvido do público.

Deixam de ensaiar na Igreja da Madre de Deus e passam para a Colectividade de Santa Catarina, ao Castelo, de onde vêm Lisboa e o Tejo, fonte de inspiração de várias das suas músicas.

1990

Entre Fevereiro e Abril gravam o álbum Existir, a sua primeira experiência em estúdio, e é então que conhecem António Pinheiro da Silva, ex-Perspectiva e ex-Banda do Casaco, então produtor e engenheiro de som. António Silva irá colaborar com os Madredeus durante 6 anos. A 19 e 20 de Abril actuam no Cinema Tivoli para apresentar
as novas músicas “Matinal “, (onde se ouve pela primeira vez a excelente voz do violoncelista Francisco Ribeiro), “0 Pastor”, “O Navio”, “Tardes de Bolonha” (um instrumental de Rodrigo Leão que resultou da viagem a Itália em 1988), “0 Ladrão”. “A Confissão”, “O Pomar das .Laranjeiras”, “Cuidado”, “As Ilhas dos Açores”, “O Menino”, “Solstício” e “A Vontade de Mudar”.

Em Maio vão a Viena actuar para o burgomestre da cidade, e regressam a Portugal para actuar em todo o país. Vão pela primeira vez a Macau, e demoram algum tempo no Extremo Oriente.

É lançado em CD o primeiro álbum, sem o tema “A Cantiga do Campo”, que ficará para sempre apenas na edição em vinil.

Existir

O segundo disco dos Madredeus teve na canção “O Pastor” o seu primeiro êxito; esta música foi utilizada num filme publicitário na Grécia, embora à revelia do grupo, tendo contribuído para a sua internacionalização.

Do álbum constam, novamente, três músicas instrumentais e uma música vocal:

01. Matinal (vocal)
02. O Pastor
03. O Navio
04. Tardes de Bolonha (instrumental)
05. O Ladrão
06. Confissão
07. O Pomar das Laranjeiras
08. Cuidado
09. As Ilhas dos Açores (instrumental)
10. O Menino
11. Solstício (instrumental)
12. A Vontade de Mudar

Matinal

O Pastor

O Pomar das Laranjeiras

(continua)


Madredeus

A música dos Madredeus cruza o fado e a música tradicional portuguesa com a música erudita e alguma música contemporânea, em particular a bossa nova.

Em 1985, Pedro Ayres Magalhães era baixista dos Heróis do Mar e Rodrigo Leão era baixista dos Sétima Legião, e a pop portuguesa de então levou-os a procurar um outro tipo de música, compondo vários temas para guitarra acústica, sendo acompanhados por Gabriel Gomes, acordeonista dos Sétima Legião.

Em 1986, Francisco Ribeiro, amigo de Pedro de Ayres e aluno de violoncelo no Conservatório de Lisboa entra para a banda. Contudo, as várias audições de cantoras para vocalista ainda não deram resultados.

“Numa noite em que visitam o Bairro Alto, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes são atraídos pela voz de uma jovem que subitamente começa a cantar o fado numa mesa de amigos. Conhecem assim a adolescente Teresa Salgueiro, que convidam para uma audição com o repertório que já possuem. Após os primeiros temas, os músicos percebem que tinham finalmente descoberto aquilo que procuravam. Pedro Ayres fica igualmente surpreendido quando regressa de uma viagem ao Brasil e ouve a cassete que os seus companheiros gravaram. Os primeiros ensaios regulares têm lugar nos arredores de Lisboa, na mesma sala utilizada pelos Heróis do Mar mas que se revela completamente inadequada aos rigores do Inverno. Um amigo comum estabelece o contacto com a direcção do Teatro Ibérico, uma pequena companhia independente instalada numa ala do antigo Convento da Madre de Deus, em Xabregas, na zona oriental de Lisboa. Ensaiam normalmente à noite, após terminado o espectáculo da companhia e entusiasmam-se com o som daquele espaço e com os resultados obtidos.” (madredeus.com)

Os dias da Madredeus

Em 1987, na antiga Igreja do Convento de Xabregas, no bairro da Madredeus, gravaram cerca de 15 temas, editados no LP “Os dias da Madredeus”. Foi assim que nasceu o nome do grupo. A inovação da música dos Madredeus, em particular o estilo de fusão de várias tendências, toraram este grupo um fenómeno imediato de popularidade em Portugal.

Após ouvir uma primeira versão do álbum Miguel Esteves Cardoso defende, no Blitz, que “a música é um dos géneros da verdade” e que os Madredeus eram a melhor esperança da nação. As gravações, feitas perante alguns convidados, são feitas com os músicos descalços, com almofadas debaixo dos pés, devido ao chão de madeira ser muito ruidoso, e interrompidas sempre que passava um eléctrico na rua. A 29/11 e 30/11, primeiro no Porto e depois em Lisboa, tocam na primeira parte do concentro de lançamento do Mar de Outubro dos Sétima Legião.

O acolhimento das audiências foi imediato em especial pelo tema “A Vaca de Fogo” mas também por aquela música exigir uma novo tipo de escuta.

Deste álbum fazem parte 4 músicas instrumentais e uma vocal:

01. As Montanhas (instrumental)
02. A Sombra (à memória de António Variações)
03. A Vaca de Fogo
04. Os Pássaros Quando Morrem
05. Adeus… E Nem Voltei
06. A Península (instrumental)
07. A Cantiga do Campo
08. Fado do Mindelo
09. A Marcha da Oriental (intrumental)
10. A Cidade
11. Maldito Dia Aziago
12. A Andorinha (instrumental)
13. O Brasil (vocal)
14. O Meu Amor vai Embora
15. Amanhã

A Vaca de Fogo

A Cantiga do Campo

A Cidade

O Meu Amor vai Embora

“Não somos um grupo, somos pessoas que se juntam para tocar” (Francisco Ribeiro)

“As nossas canções nasceram quase de improvisações, foram criadas calmamente, algumas começaram por ser exercícios de aperfeiçoamento instrumental de todos nós. Nos espectáculos, queremos reduzir a tensão existente nas audiências e nos músicos. Queremos dar tempo para criar a música em palco e para que as pessoas que nos ouvem acompanhem essa criação” (Pedro Ayres Magalhães).

(continua)