Margarida Rebelo Pinto, a famosa gastadora de tinta, tem uma coluna semanal no “Sol”, intitulada “Com Muito Prazer“, cujo tema é sexo, sexo, mais sexo e, de vez em quando, sexo. E é aquilo a que eu chamo uma escritora fiel ao tema capaz de produzir verdadeiras pérolas…
Original
39% (das mulheres entrevistadas pela Vogue inglesa) afirma preferir homens com poucos pêlos, ou nenhuns. O homem moderno europeu bem pode dizer adeus ao mito dos feios, maus, peludos e a cheirar a cavalo que durante infindáveis séculos reinou; as mulheres agora gostam dos homens bonitos, tranquilos e a cheirar a cremes, bons perfumes e champôs de cabeleireiro e de preferência, com poucos pêlos. (…) E enganem-se aqueles que pensam que tais referências sugerem indícios ou resquícios de um comportamento gay. A Vogue portuguesa poderia fazer um inquérito às suas leitoras para saber qual a percentagem de maridos, namorados, ou parceiros sexuais que ainda usa aqueles boxers largos muito na moda nos anos 90 com cavalinhos, ursos – pais natais e renas em época natalícia – cães, gatos, ratinhos malandros e outras figuras da fauna mundial. Provavelmente, os homens que ainda mantêm esse tipo de roupa interior são os mesmos que não imaginam a sua floresta aparada ou dizimada. Neste aspecto, bem como em tantos outros, a rapaziada nacional ainda tem muita estrada para percorrer. Na geração que tem agora 20 anos, ainda há muito machinho com pouca barba na cara mas muito pêlo na venta que considera a homossexualidade como uma patologia. Devem ser os mesmos que olham para as mulheres como olhavam pais, avôs e bisavôs, num espírito maniqueísta que separa o sexo feminino em dois grandes grupos, sendo que um exclui o outro: as boas para casar e as boas para curtir.
Tradução
A autora parece perita em machos portugueses de várias gerações, incluindo os machinhos (serão pequenos em quê?)que têm agora 20 anos e os que usavam há 15 os ditos boxers largos cheios de animais. Mas fiquei com uma dúvida debaixo da asa: aquela do maniqueísmo. “… num espírito contraditório que separa o sexo feminino em dois grandes grupos?” eh pah, devo ser buéda tansolas, pq ainda não percebi qual é a contradição. Ó Sra, explique-me lá como eu tivesse quatro anos!!! Pode ser?!
Original
Há uma frase do Jules Michelet que nunca me canso de citar. «O homem caça e luta, a mulher intriga e sonha». O homem caça tudo; coelhos para o jantar ou coelhinhas para a sobremesa. E luta para ser o mais forte, ou o melhor, para conseguir uma promoção, um aumento de ordenado ou os aplausos dos amigos da equipa cada vez que marca um golo nos jogos de futebol amador de fim-de-semana. E quando é a mulher a caçar? Pois é, os homens não gostam. Mesmo que saibam que são as mulheres que escolhem os homens, precisam sempre de sentir que elas dão algum trabalho a apanhar. (…) Que me perdoem os ecologistas, mas uma boa corrida de touros é um grande espectáculo nacional e faz parte da nossa cultura.
Tradução
A Sra. cheira-me a divorciada. Só pode. Não tenho no meu círculo de amigos e conhecidos nenhuma mulher que não vá à caça. Seja de homens, seja de coelhos para o jantar, seja de coelhinhas (??? as da Playboy???) para a sobremesa, seja para ser a melhor em alguma coisa. E não conheço nenhum homem, gajo ou touro que não aprecie. Afinal, depois dos soutiens queimados e das axilas cheias de pelugem nauseabunda, que raios estávamos à espera? Devo ser muito tansolas… Mas continuando sobre a análise da Sra.: corrida de touros???? Sendo os homens os touros??? Bem, ou escolheu mal as palavras ou a interpretação é esta: touro tem cornos, portanto falamos de cornudos e de mulheres que ou andam à caça de homens cornudos ou de mulheres que lhos deram. Either case, something here smells. E não são as fraldas da minha filha, é essa mentalidade de coitadinha que lhe fica mal, mal, mal! Ó Sra., veja lá se em vez de ser a Velha do Restelo se torna em Profeta da Boa-Nova e das Mudanças ou outras quejandas que tais, ok?
Original
Infelizmente, este modelo sóbrio de homem parece estar a esfumar-se com o tempo, assim como as boas maneiras que este estilo pratica com tanta naturalidade que quase nem se dá por isso; o cuidado em conduzir uma senhora sempre do lado de dentro do passeio, a atenção em subir e descer escadas à frente dela – subir por pudor e descer para amparar qualquer queda – e outros pequenos nadas que fazem toda a diferença no dia-a-dia. O clássico hit algo pimba mas muito sábio que trauteia ‘uma lady na mesa, uma p… na cama’ devia ter um correspondente para o ideal masculino; ‘um senhor na mesa e um gentleman na cama’, porque não há nada mais enervante do que o chamado estilo performático: aquela rapaziada que, nos momentos de maior intimidade, pensa que é um leão da selva e usa as cordas vocais e a expressão facial para colorir ainda mais a já sua pouco discreta actuação. Amigos leitores, não levem a mal o meu sarcasmo, mas não se esqueçam que o azul escuro é uma cor insuspeita e que a sobriedade nunca há-de passar de moda, seja ela onde for. As mulheres cansam-se de homens barulhentos mais depressa do que os homens se cansam de mulheres que falam mal português.
Tradução
Ora agora é que me fiquei bronco com o seu raciocínio. Ora a senhora anda por aí a dizer mal dos homens das gerações todas, e parece que só se aproveitam os touros cornudos. Whatever. Então mas diga-me lá uma coisa - só uma: estes homens sóbrios, que tratam as mulheres como cavalheiros, que lhes abrem portas e afins, não são precisamente aqueles que separam as mulheres em dois estilos? Aqueles cuja existência parece depender dos boxers de renas, rudolfos e afins? Aqueles que caçam coelhos e coelhas ‘pikenas’? Ai os homens querem-se sóbrios, de azul escuro, lá postos na prateleira, sem incomodar o brilho das mulheres? É que esta eu não percebo mesmo - ora se procuram os homens mais interessantes, aprumados e requintados, ora se procuram os apagados, azuis-escuros, clássicos e (já agora) invisíveis…
Enfim, já enjoei de tanta psicanálise. Confesso que ainda tentei apanhar um fio à meada à sua coluna, já que o tema é sempre o mesmo. Mas desisiti. Prefiro mil vezes ir roubar pratos à Versailles do que ler estas suas obras…
Um Comentário
E tu ligas a essa tipa? A minha psicanálise aos gatafunhos dela é simples: não tem nada na cabeça. Como os maluquinhos que de vez em quando entram nos comboios para apregoar ideias que à primeira vista parecem muito revolucionárias, mas depois se verifica não terem qualquer nexo. Um excesso de ideias primárias soltas equivale a ideia nenhuma.
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