oblivion

o tempo não me diz nada
nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
a ponte ficou deserta /
nem sei mesmo se lisboa não partiu para parte incerta

foi rumo ao sul.

escreveu o teu nome algures num bocado de memória.
mas o tempo gastou-lhe a memória.

escreveu o teu cheiro num farrapo dele.
mas está gasto.

escreveu o teu sabor num pedaço da sua alma.
mas tiraram-lha.

deste-lhe o teu corpo.
e quanto te foste embora, levaste o teu corpo contigo.

de que servem as memórias quentes do passado se o futuro é uma álgida alba atroz?

só resta um austral re-encetamento e um fim brutal.

ia rumo ao sul.

amou-te demasiado. e nunca lá chegou.

4 Respostas para “oblivion”

  1. catarina Diz:

    é. de facto. demasiado.

    e nunca lá chegou.

  2. G. Diz:

    kê?

  3. Resmunga Diz:

    Olha a catarina, apareceu a comentar! Deve ter tido alguma intenção irónica, ou então, estava só a pensar «por escrito»…

  4. [472] you're the one i desire « Early Orange and Late Nocturn Shifts Diz:

    [...] you’re the one i desire 21 05 2007 Em tempos escrevi um post intitulado oblivion. E nessa altura escrevi “de que servem as memórias quentes do passado se o futuro é uma [...]

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